terça-feira, 27 de maio de 2014

Exigência

Eu tenho estado embriagada
Com a liquidez do tempo
Racionalmente inebriada
Me desfazendo de respostas antigas

Sinto por quem foi
Por quem não fica 
Por quem vai
O amor se complica
No respeito que se esvai

Eu tenho olhos atentos
Olhos de quem espera o amor
Espera em cada ponto
Em cada vírgula
Em cada pranto

Eu vejo a luz em quem se entristece por querer
A fortaleza em quem prioriza por amar
Embora a mágica surja junto ao amanhecer
Esta se desmistificará se eu não te ter 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Bloco 07

Em uma noite de feriado em que se curtia a felicidade de viver, com brincadeiras animalescas e conversas horizontais, conheci dois pequenos olhos que a partir dali me invadiriam o pensamento todas as manhãs,  assim que nos meus olhos chegassem a luz do dia, que me perseguiriam pelo dia inteiro para que o vento me arrancasse sorrisos.
Tantas escadas subi neste mês, tantas plantas eu vi, tantos gatos acariciei, tantas pessoas conheci, tantos momentos amei, tanto em supermercado fui feliz, tanto caminhei, tanta leveza na alma eu levei.
Conversaria com aqueles olhos até o mundo acabar ou até eles acabarem comigo, porque nesses olhos se vê a profundidade, a beleza, a coragem, o amor e a revolta do mundo. Eu pegaria aquelas mãos e passearia no parque, eu ouviria aquela voz e discutiria Caetano, eu teria filhos daqueles olhos, eu planejaria bobagens com aquela mente e morreria de rir com aquela boca.
Vou construir um balão, comprar bolinhos e petisco e te chamar pra viajar comigo, porque você não gosta de fanta uva e nem de bolacha de morango, assim como eu. Do resto a gente ri.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Amor Enriquecido com Cálcio

Em uma ensolarada manhã de fevereiro, Bruna andava pela calçada de sua rua e encontrara três filhotes de gato, enlameados e jogados a própria sorte, a garota se entristeceu e resolveu dar um pouco de alegria para aquelas, somadas, vinte e uma vidas. Chegando em sua casa foi direto a geladeira e pegou uma caixa de leite, voltou onde estava os três gatinhos, famintos eles beberam aquele liquido branco de paz. A garota estampava um sorriso ao ver as barriguinhas estufadas dos filhotes e ao mesmo tempo deprimia-se por não poder leva-los para casa.
Bruna foi atrás de dona Daniela, sua vizinha, uma viúva que perdeu seu amado humano, mas reconfortava com o amor de gatos e cachorros. A senhora deu um lar aos gatinhos e eles cresceram como mereciam. Com os anos passados, Bruna, já uma mulher, era uma escritora de sucesso e tinha sua própria casa, chorosa se vestia com um alinhado vestido preto, iria ao velório de sua estimada vizinha, Daniela.
Após o enterro Bruna foi ao super mercado, comprou leite e ração. Havia recebido de herança uma família que havia ajudado a compor anos atrás, agora com os filhotes crescidos que geraram mais filhotes, Bruna os levou para casa como se ainda estivesse terminando a ensolarada manhã de fevereiro.

domingo, 29 de julho de 2012

Para Raica

Seu sorriso gigante de olhos acolhedores faziam com que eu me sentisse amada não importando qualquer erro meu, você só queria carinho, algumas palavras infantis docemente entonadas e aí então você entregava seu coração canino. Nossos passeios me orgulhavam, você me orgulha, você foi a criatura mais meiga que eu já tive a honra de conviver, todo mundo te adorava, eu te amo, sinto muito sua falta, me sinto mais sozinha quando estou sozinha em casa, pois antes tinha você, sinto que não fiz tudo que podia fazer pra você continuar aqui, eu sinto muito. Desculpa não ter dado tudo de mim pra te salvar, pois eu sempre soube o quanto você é importante e daria tudo pra ter o seu sorriso de volta. Fica em paz minha princesa. Acho que agora estou conseguindo te dizer adeus.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Vodca de Ouro

Eram seis, eram três casais em um quarto, levados pela lua e pela necessidade de ser feliz. A metade da vodca que sobrou da festa passada havia acabado, consumida por um jogo em que o ganhador dificilmente levantaria para comemorar.
As duas da manhã, de mãos dadas, os seis em pares saíram por avenidas atras de mais alcóol, um desespero aventureiro e amigo, nem todos bebiam e tais se dotavam do cuidado com aqueles que já pouco respondiam por si. Andando desordenadamente, passaram de bar em bar sem conseguir, até que um deles pegou um moto táxi e foi até um posto não tão longe dali e os outros com pouca coragem voltariam para o quarto de onde saíram.
Eles conseguiram em um retorno de avenida, o integrante que havia ido cumprir a missão, voltou sentada na moto, erguendo como um troféu a vodca, a vodca de ouro. Normalmente tal vodca seria 6 reais, mas no auge da loucura foi pago pela mesma, 20 reais. Felizes  e cansados os jovens colocaram o troféu na estante e adormeceram.

domingo, 11 de março de 2012

Caso

Pele em pele

Que as vezes me repele

Pernas em um jogo

Sincronia proibida

Calor e fogo

Cena colorida

Eles vêem colorido

No escuro não vejo cor

Dança

Corpo

E quem sabe o amor

Vergonha morta

Linguagem torta

Passeio das mãos

Um acelerar da pulsação

Sussurrar

Faltar o ar

Rir lá dentro

Sorrir de boca aberta

Congela-se momento

Chega-se à meta

Mirabolante

O bater da porta defeituosa que só fechava quando se trancava a chave,incomodava, mas Soraia tinha preguiça demais para se habilitar a levantar da cadeira em que ela quase se deitava, ela comia chocolates americanos e assistia seu seriado inglês predileto, em quarenta e alguns minutos ela não se preocupava com suposta vida que perdia lá fora, sozinha em casa com a cadela dormindo ao lado, a garota sentia falta do barulho dos parentes, o mesmo barulho que ela havia odiado quando lhe acordou de manhã bem cedo.
A dor de cabeça que lhe perseguia por semanas já parecia parte do seu espírito, já a dor no seu coração, aquela já lhe transtornava o espírito. Laia, quando pequena, tinha mania de ficar em baixo da mesa comendo laranjas, quando achava uma azeda tinha orgulho de não fazer caretas, ela tinha orgulho das coisas simples, como elogiarem um desenho seu, tinha orgulho da felicidade momentânea de alguém que saboreou a comida que ela preparou, tinha orgulho da beleza de um bolo que ela confeitou ou de uma foto de ângulos que só pessoas que a entendem acham o máximo como a mesma. Para Soraia, que se travestia de complexidade, a felicidade era simples.
Ingressos de cinema comprados, Soraia esperava sua melhor amiga, Raíssa. Assistiriam uma comédia romântica, para variar, já que as duas ficavam felizes de chorar juntas vendo um drama, quanto mais real,melhor. Durante o filme Soraia via no rosto de Raíssa o sorriso que ela queria que fosse causado por ela, apesar de que muitas vezes o era, mas não da forma como ela desejava e como ela o desejava. A pipoca do cinema com gosto de isopor fazia Soraia desejar um fogão portátil, sem falar no gosto industrial do sanduíche do mc donald's que lhe faziam querer seus sanduíches caseiros, no momento ela queria o seu inventado sanduíche de purê de batata, frango e queijo, mas parou por um momento de viajar e logo subiu em outro trem e pensou: 'Por que eu viajava em comidas mesmo? Não há nada que eu quero mais do que o sorriso da acompanhante que viaja comigo.'